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Inaugurada sob chuva, mas com "casa lotada", a nova Estação Rodoviária de Campo Grande, orçada em R$ 13 milhões, realiza um sonho ostentado pelos 734 mil habitantes da Capital há 24 anos.
Há pouco, foi entregue o prédio de 6,2 mil metros quadrados de área construída na Avenida Gury Marques, na saída para São Paulo. O funcionamento começa em novembro.
Desde 1985, esta é a 6ª tentativa de se construir um novo terminal rodoviário na cidade, por onde passam 83 mil passageiros por mês.
Ao descerrar a placa de inauguração, o prefeito Nelsinho Trad (PMDB) concretiza um processo marcado por polêmica, brigas políticas e controvérsias. “O campo-grandense não vai mais passar vergonha”, afirmou o arquiteto e primeiro presidente do Planurb (Instituto de Planejamento Urbano), Ângelo Arruda, que participou do projeto pioneiro para construir o novo terminal de embarque e desembarque de passageiros do transporte intermunicipal.
Com 25 plataformas de embarque e desembarque, o novo prédio será administrado pela Consórcio do Terminal Rodoviário de Campo Grande, formado pela Socicam Terminais de Passageiros e Cibe Participações (que controle o grupo Bertin e a Águas Guariroba).
A unidade passará a funcionar no dia 1º de novembro deste ano, segundo a Socicam. A partir deste dia, o prédio do Terminal Eduardo Laburu, no centro da Capital, deixará de receber ônibus após 33 anos.
Bem diferente - A idéia é que a nova rodoviária seja também um espaço turístico, muito diferente da realidade da antiga sede.
“Já sabemos o que deu errado no passado e agora vamos fazer ações preventivas para evitar que essa rodoviária seja como a outra”, comenta Nelsinho que já programou para amanhã reuniões com chefes de cada setor do novo prédio para “exigir qualidade total”, diz o prefeito.
Segundo o diretor de Operações da Socicam, Roberto Farias, entre as maiores diferenças está a parte tecnológica.
“É um novo conceito que mescla tecnologias. Temos, por exemplo, 18 câmeras para monitoramento do local”, explica
Outro ponto é de economia e preocupação ambiental, diz. A estrutura é feita de modo a facilitar a ventilação e a iluminação. As águas da chuva também são reaproveitadas para manutenção do paisagismo.
Pioneiro – Juvêncio César da Fonseca foi o primeiro prefeito de Campo Grande a tentar construir o novo terminal rodoviário. Ele elaborou o projeto, definiu a maquete e deu início às obras em frente ao Cetremi (Centro de Triagem do Migrante), na saída para Três Lagoas e em frente ao Parque dos Poderes.
Segundo Arruda, na época, o Ministério dos Transportes liberou a primeira parcela para a construção da rodoviária de Campo Grande. No entanto, o engenheiro responsável pelo empreendimento foi demitido e a obra empacou na fundação.
Pedrossian - A segunda tentativa ocorreu no início dos anos 90 na gestão do governador Pedro Pedrossian. Após enfrentar ambientalistas, o MPE (Ministério Público Estadual) e a comunidade, que eram contra a construção no Jardim Cabreúva por considerar o terreno ruim e o local inadequado, ele contratou o arquiteto Rubem Gil de Camilo e elaborou a obra às margens da Avenida Ernesto Geisel.
Superada as polêmicas, no último ano do Governo, Pedrossian promoveu um almoço para os taxistas para marcar a inauguração do Terminal Rodoviário Engenheiro Euclides de Oliveira, no Jardim Cabreúva.
Wilson Martins (PMDB) assumiu o Governo e carimbou que o terminal não seria ativado por falta de recursos. Foram quatro anos de abandono, quando o local passou a ser depredado e abrigo de marginais.
Reforma – A terceira tentativa de resgatar a dignidade do cartão de visitas da Capital ocorreu em 1998, na gestão de Martins, quando se cogitou reformar e restaurar o atual prédio, inaugurado em 1976.
A proposta era retirar o sistema de integração do transporte coletivo urbano e dar uma nova roupagem para o atual prédio, que mantinha a fama de abrigo de prostitutas, marginais e traficantes.
Zeca do PT - O projeto da reforma fracassou e a obra inacabada voltou a ser a chance de redenção na gestão de Zeca do PT, quando o deputado estadual Pedro Teruel (PT) ocupou a secretária estadual de Infraestrutura.
O petista chegou a contratar um consórcio para concluir a obra do prédio no Jardim Cabreúva, mas esbarrou na exigência feita pela GDU (Guia de Diretrizes Urbanísticas) da prefeitura, que pedia investimento de R$ 43 milhões.
Adversário político do petista, o então prefeito, André Puccinelli (PMDB) embargou a obra e condicionou a liberação aos investimentos, causando nova paralisação. Cinco anos depois, em 2005, o petista tentou transformar o “elefante branco” em centro da cultura pantaneira.
O MPE (Ministério Público Estadual) ingressou com ação na Justiça e obrigou o cancelamento do projeto, obrigando o Governo a concluir o prédio da rodoviária. Na ocasião, perícia do MPE teria constatado que o prédio não poderia ter outra finalidade, sob risco de causar mais prejuízo aos cofres públicos.
Licitação – Acatando ordem judicial, o petista realizou nova licitação, mas para a obra ser concluída por meio de PPP (Parceria Público Privada). Em troca do investimento de R$ 9 milhões, a empresa administraria o terminal por 30 anos.
As empresas abriram uma guerra judicial pela obra, o que provocou a suspensão do certame no final da gestão de Zeca do PT. André Puccinelli assumiu o Governo e cancelou o certame.
Ele propôs um termo de ajustamento de conduta com o MPE, em que cedeu o imóvel para a prefeitura de Campo Grande. O prefeito Nelsinho Trad assumiu o compromisso de construir a nova rodoviária em outro local e inserir a obra inacabada no pacote de reurbanização da região, que prevê a construção das orlas Morena e Ferroviária e Centro de Belas Artes.
Moderna – O novo terminal é considerado um dos mais modernos do País pela Socicam. A empresa prevê a criação de 500 empregos, sendo 50 diretos para operacionalizar o novo terminal.
Fonte: Campo Grande News - Foto: Marcelo Victor - Edivaldo Bitencourt e Danúbia Burema